Âncora

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Meus amigos Suzete e Roberto completam hoje 38 anos de casados. Desde que os conheço, eles são família minha e minha maior inspiração para seguir acreditando no amor. Não um amor de contos de fadas distante, mas um amor real, regado à dedicação, cumplicidade, esforço mútuo, generosidade e uma dose adorável de bom humor.

Caramba, 38 anos. Suzete viveu mais tempo com seu marido que com seus próprios pais, viveu mais tempo sendo dois que sendo sozinha, viveu e vive, uma vida inteira com o homem que escolheu. E ele a escolheu de volta.

Para celebrar suas bodas de carvalho, a árvore símbolo da sabedoria e da força, fizeram uma tatuagem. Como dois adolescentes apaixonados, que de fato são. Tatuaram uma âncora. Mais do que símbolo de estabilidade, porto seguro um do outro, a âncora no caso deles retrata a liberdade que seu amor esculpiu lentamente através dos anos.

A âncora, eles me ensinaram, não é símbolo de parada, de estagnação, mas uma força que diz: “Vai lá, descobre o mundo com esses olhos que eu adoro tanto e volta pra me contar. Vai lá, que eu serei sempre sua casa, seu retorno, seu conforto pra te consolar do cansaço do mundo. Vai lá, mas depois volta pra me completar e dar o seguir da viagem que só faz sentindo se seguirmos juntos”, lindos.

Trinta e oito anos, quatro filhos, sete netos e você os vê de segredinhos pelos cantos, levando café na cama nos dias preguiçosos, indo ao cinema no meio da semana, morrendo de ciúmes um do outro, sem confessar. Viram que evitei dizer “ainda”? “Ainda” não combina com eles. O amor deles está crescendo, evoluindo e, a gente, que aprendeu admirá-los tanto, vai pegando carona, vai amando também, vai crescendo perto, viajando junto. 

Diego Engenho Novo

couple beach

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Compartilhe qualquer crônica postada em nossa página do Facebook e conte para seus amigos porque gosta da página ou dos textos, como eles te inspiram, ou se foram importantes em algum momento da sua vida e finalize com a hashtag #‎palavracronica‬. E pronto.


Só isso? Só isso:

– escolha qualquer texto postado aqui
– compartilhe no seu perfil
– escreva um comentário dizendo porque gosta da página
– coloque a hashtag #palavracronica

Premiação
Vamos sortear 3 camisetas. O modelo fica à escolha do ganhador. Um ganhador para cada uma das respectivas categorias:

1) Post com mais curtidas ou;
2) Post com mais compartilhamentos ou;
3) Post com o texto mais fofo (ownn!)

Resultado

07/08 (sexta-feira)

*Mas lembre-se: você tem que escrever algum comentário e acrescentar a hashtag #palavracronica ** Lembre-se de fazer sua postagem PÚBLICA ou não teremos como avaliar sua participação ***Você pode participar de todas as categorias simultaneamente, mas só poderá ser premiado através de uma delas ****Esta promoção é válida exclusivamente para o Facebook.

Boa sorte!
(clique na imagem para ver os detalhes adoráveis das camisetas @@

Frase: Vou, pelo mundo voo / Trecho da crônica “Ser Livre“)

Arte 3 - Dandelion_preta-04

Arte 3 - Dandelion-03

Idem

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Mari, minha prima mais porra louca, sumiu no mundo com uma mochila nas costas. Alguns meses depois, avisou que estava de volta e que tinha trazido um pequeno souvenir: um noivo. Levando seu histórico em consideração, já imaginávamos um moço magro, alto, com dreads e aquele papo holístico durante o almoço. No dia marcado, a mesa posta, Mari me aparece com uma pessoa que realmente chocou toda a família. O moço era uma pessoa formal.

Roupa impecavelmente passada, dava pra ler todas as boas marcas, sapato mais limpo que o meu cabelo, tom de voz moderado. Ele não dizia “brigado!”, mas “muito obrigado”. Não era “dá licença, que eu vou ali rapidinho”, mas “com sua licença, vou me retirar alguns instantes”. Estávamos na novela das seis? Sabe aquelas pessoas que a gente até corrige a postura pra conversar? Eu estava tentando conhecer o moço, mas não conseguia parar de pensar que ele tinha tanto a ver com a Mari quanto eu com a torcida organizada do Vasco.

Se você é formal e está me lendo agora, não pense que tenho algo contra você. Não é isso. Torço pra que você seja muito feliz, de forma ponderada e elegante, é claro. Mas porque pessoas formais não se juntam com uma outra pessoa formal? Esse papo de os opostos se atraem não parece ter muito a ver com vocês. É papo de gente passional, romântica, que tem poster do Truffaut em cima da cama. O formal é prático, mental, metódico, namorado da Mari.

A primeira vez que namorei uma pessoa formal e ela respondeu meu “eu te amo” com um sonoro e grave “idem”, corri o mais rápido que pude. Deus me livre de gente que diz idem. Idem nem é palavra direito. É uma redução econômica de outra palavra que já nasceu sem personalidade, sem tesão, desalmada. Gosto de gente que arranca a roupa e te agarra com fúria. O formal não, ele retira calmamente a camisa e a dobra sobre a calça já dobrada. O formal tem pavor de mudança de planos, improvisações e acidentes de percurso: a receita perfeita para fazer novas descobertas. Preciso de alguém que grite aos sete ventos que também é doido por mim, que me ama muito mais e corra pra me beijar. Compare isso com um idem.

Quem é mais espontâneo talvez se atraia pela sensação de segurança, pela lucidez que equilibra, ou pela personagem que criou para tornar o formal mais palatável para seus sonhos. No fundo, o espontâneo acha que pode transformá-lo, torná-lo mais aberto ao seu mundo, vertê-lo em algo um tantinho menos…formal. Mas, veja, bem, se há algo que os formais fazem melhor e muito melhor que você é ter foco, organização e determinação. Nessa guerra de quem muda quem, nós já sabemos quem sai perdendo. Eu sei, eu sei, você o ama. Ele idem.

Diego Engenho Novo

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A gente quer te conhecer melhor

Já respondeu nossa pesquisa? Só leva dois minutinhos e vai aproximar a gente ainda mais de você.

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Má Companhia

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Ninguém telefona mais pra gente na era dos aplicativos. Mas, estranhamente, essa semana meu telefone tocou. Lara toda feliz do outro lado. Acho que ela é a única que ainda liga para as pessoas – Tô namorando! – empolgada.

Jura? Me conta dele – silêncio – Ah, ele é advogado – silêncio – Sei… Mas me conta como ele é – silêncio – Ele é bonitão, assim, alto – silêncio – Lara, eu quero saber como ele é, o que ele gosta de fazer, o que vocês fazem juntos, quero saber por que ele te faz feliz – silêncio.

Lara não sabia como responder àquilo. Claro, ela poderia fazer um perfil psicológico dele: calmo, educado, focado, inteligente. Esse não era o problema. Minha amiga não sabia responder por que ele a fazia feliz ou se ele a fazia feliz. Em resumo, Lara é mais uma que não sabe por que ama quem ama. E isso lança uma névoa espessa no ar – Ama mesmo? Ou você ama a ideia de amá-lo? Muita gente não percebe, mas há um universo inteiro de distância entre esses dois sentimentos.

Você ama estar com ele ou ama ter alguém com quem estar? Você tem medo de se imaginar no futuro sem ele ou tem medo de se imaginar no futuro sozinha? A voz dele te reconforta ou só preenche o silêncio da casa? O beijo dele te inunda a alma ou só rouba o ar? Talvez, na pressa de ser feliz, você não tenha parado pra pensar.

Melhor mal acompanhada que sozinha? Um dia o medo passa; os olhares que te olham de fora cegam; as opiniões que te acompanham, calam-se; e tudo o que lhe restará é a sombra remanescente das escolhas que fez. Quando a gente se agarra a alguém pelo simples medo de ficar sozinho, sozinhos somos duas vezes.

Diego Engenho Novo

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Amigados

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Nunca me esqueço da palavra que vovó usa pra definir um casal que mora junto, mas não é casado – São amigados – fazendo pouco caso. Lembro que quando criança, eu achava esse termo maravilhoso. Pensava em como devia ser bom morar com um amigo. Poder brincar o dia inteiro, dar risada o dia inteiro, um emprestar seus brinquedos pro outro, ninguém pra dar bronca, cobrança. Coisa boa era ser amigado.

Tudo bem, hoje entendo o que ela queria dizer, mas ainda acho que é mais jogo ser amigado que casado com quem a gente ama. Se casar é dividir uma casa, combinar personalidades, juntar duas metades; amigar é ser bem mais parceiro, dividir momentos, aceitar ser amigo do seu companheiro. Julgar menos, ouvir mais. Estar atento aos pequenos sinais de que o outro precisa de colo.

Se casar é dividir as contas, amigar deve ser dividir os sonhos, planejar, tramar juntinho com a pessoa no mundo em que você mais pode confiar. Se casar é tolerar, amigar deve ser adorar estar junto, contar os minutos, ver algo e pensar – Queria que ele também pudesse ver isso. Se casar é achar que os erros do outro são sempre um ataque a você, amigar deve ser a compreensão de que todo mundo está tentando se melhorar.

Se casar é ir a mais jantares, passar mais tempo em casa, ver mais novela. Amigar deve ser adorar dançar com quem se ama, se esforçar pra tirar o outro de casa, porque você quer conhecê-lo ainda sob tantas diferentes luzes. Se casar é lutar contra o tédio no sexo, amigar deve ser contar todos os desejos, aprender com as experiências do outro, se sentindo mais engraçado que culpado. Amigo tem esse dom de dar leveza para tudo o que ele toca. Meu sonho é dividir um mundo contigo e não roubar o seu. Vem se amigar comigo.

Diego Engenho Novo

amigar

Bendito

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Hoje foi um dia bom. Só queria te contar isso. Acho que entre todas as coisas que me fazem falta, te contar meu dia é a maior delas. Revisitá-lo nos seus olhos, melhorá-lo aos seus ouvidos, rir dos meus sufocos a partir do teu riso.

Se houvesse como brotar um hiato entre tudo o que foi dito de amargo entre nós. Se houvesse como apagar por cinco minutos a estranheza que sentimos, nossa apatia diante da dor, nossos medos, nossos ciúmes, calar nosso silêncio monstruoso.

Se todos os meus erros fossem como um barco que já vai longe e sumisse entre uma ondinha e outra. E nesse espaço coubesse ainda alguma doçura e cumplicidade, tudo o que eu queria era saber também do seu dia.

E teu peito, subindo e descendo, iria me acalmar. E sua voz, primeiro eufórica, depois mais calma, depois baixinha iria me contar que cheguei em casa. Desde que você se foi que não chego em casa. Eu entro pela porta, aparto as correspondências que importam, faço um chá, mas não é ali que eu moro. É um semi-lar.

Hoje eu só queria uma dose farta daquelas rotinas que já me pareciam tão chatas. Seus perrengues no trabalho, sua encrenca com o banco, sua negativa bem-humorada pro pedinte, o aumento do preço do achocolatado.

Eu ouviria tudo, amando a rasura, adorando a futilidade, porque hoje sei que não importa tanto do que se fala. Todo dito é bendito pelos lábios de quem se ama.

Diego Engenho Novo

Foto: Michelle Joubert Martin

Foto: Michelle Joubert Martin

Oração do Perdão

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Querida Lavínia,

Vejo você se abraçando à sua dor, porque sei que deixá-la ir é também deixar ir a memória do que já foi amor. Não há uma forma fácil de fazer isso. Apenas abra os braços. O perdão é uma oração que se repete continuamente. Pode não fazer sentido para a sua cabeça, mas sempre dirá algo para a sua alma.

Há um exercício que fiz durante anos com minha querida Ravena. Todos os dias, nós nos sentávamos frente à frente e nos olhávamos por alguns segundos em silêncio. Então eu começava a oração: “Peço perdão. Pelos maus pensamentos, se não te honrei quando poderia. Peço perdão pelas palavras, pelos gestos, por não ter tido paciência quando deveria. Peço perdão por alimentar a culpa, por acordar o ego, por provocar sua insegurança. Peço perdão por colocar minha posse à frente, por ser egoísta, por elevar sua ansiedade. Peço perdão e te ofereço perdão por hoje, por ontem e por todos os tempos que vieram antes de nós e que virão daqui pra frente”. Ela repetia e nos abraçávamos, pelo tempo que fosse.

Todos os dias. Imagina o que é isso? De alguma forma, esta oração nos salvou. Fez com que tivéssemos uma relação mais verdadeira, mais amorosa e mais doce. Não, não era fácil. Nos dias em que estávamos muito feridos, com raiva, era difícil sentar diante um do outro para exercitar o amor. Mas nós fazíamos, assim mesmo. No começo, meio que à contragosto, mas ao final, já dominados pelo choro.

Hoje faz dois anos que Ravena se foi e eu ainda oro baixinho, ainda peço perdão e a perdoo. Perdoar é reconhecer a sua humanidade refletida no outro. Abra os braços Lavínia, seu coração precisa de luz, de ar, como um casaco antigo de couro. Sabe qual a receita para se preservar o couro, Lavínia? Preserva-se o couro usando-o, muito e sempre. O perdão é uma oração diária, silenciosa e rara. É um presente que só a gente pode se dar.

Diego Engenho Novo

Woman by Ocean with Arms Outstretched

(Publicado originalmente em 04/2014)

A Incrível Geração de Pessoas Que Não Se Comprometem

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Conheci Sara na recepção do famoso tatuador portenho Carlos Cavera – Estou um pouco nervosa. Até chegar aqui, tinha certeza que queria fazer uma tatuagem. Agora, não a tenho mais – Sara não tinha medo da dor, mas de se arrepender de algo, em tese, permanente. A acalmei um pouco e expliquei que as remoções de tatuagens com lasers estavam cada dia mais eficientes e menos dolorosas. Sim, menti. 

Eu entendo bem Sara. Somos da mesma geração. Não X, Y ou Z. Somos de uma geração de pessoas que não se comprometem mais. Fomos educados assim. Com o passageiro, com o fluvial, diante da volatividade da tecnología, da mutação do pensamento, da fragilidade das relações. Fomos ensinados que as pessoas, experiências e sentimentos passam – ficam os arrependimentos.

Fomos ensinados que filhos são um erro. Financeiro, social, um ataque à nossa liberdade pessoal. Que ter uma casa onde se fixar é pouco moderno, pouco prático, já que o verbo de nossa geração nao é ficar, mas ir. Fomos aprendendo que pessoas, com seus problemas, se bloqueiam, se apagam. Ponto final. Não é necessário manter nada que lhe incomode, que lhe atrase, nada que possa um dia se tornar um peso.

Sofro desse mal, de relações descartáveis, de amores rasos, de medos bobos. Mea culpa, sem culpa. Eu sou assim, ou era até pouco tempo. Outra vez estou mudando. Fazer parte dessa geração também é evoluir, aprender a todo o tempo. Hoje entendo que para evoluir preciso ralentar o passo e involuir diante dos olhos assustados dos outros. Preciso cometer a burrice maior, o pecado mortal, preciso me comprometer com pessoas, coisas e causas.

Diante de tantas emoções que passem, quero um pouco das que ficam; diante de todos os valores que mudam, viver os eternizam; diante da dúvida do arrependimento, quero me entregar à beleza de escolher um camino e trilhá-lo até o fim. Sem culpa antecipada, arrependimento programado, sem medo do desconhecido, comprometido. Sim, eu quero um filho, um lar e um amor e não espero que sejam nada menos que irreversíveis. Se amar é se prometer, comprometer-se é amar junto.

Diego Engenho Novo

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