Aos Adultos Que Deram Certo

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Morro de inveja. Juro. Inveja branca, preta e azul bebê de vocês. Adultos que deram certo. Comecei a pensar nisso no último show que fui assistir ao ar livre no Ibirapuera. Lá estava eu, um cara de 27 anos, comprando cerveja com o cara do isoporzinho e comendo minhas batatas cheetos. À minha volta, grupos com dentes clareados no laser, muito bem vestidos, com crianças corrideiras cheias de energia. Casais que se amavam, tomando vinho em taças bonitas. Patês! Vejam vocês, patês! E eu ali, fracasso no meu saco de vácuo. Nesse dia entendi que eu sou um adulto que não deu certo.

Já começa daí: me alimento mal. Como pizza com coca no café da manhã. Quando a preguiça aperta, me salvo com um cup noodles. Cup noodles sempre me faz lembrar dos meus relacionamentos anteriores: a gente sempre acha que dessa vez vai ser bom, mas o resultado é sempre uma droga, um falso sabor de frango, um mal estar, uma bomba de sódio e de culpa. Agora que eu consegui me atentar pra comprar comida sem gordura trans, começaram a falar de comida sem glúten. Ando em pânico de ser alérgico a glúten. Eu nem sei que gosto o glúten tem. Comida sem glúten tem gosto de coisa nenhuma, mas é coisa de adulto que deu certo. Certamente que é.

Me tornei sedentário convicto. Odeio malhar, odeio quem gosta de malhar. Odeio o som, o cheiro, odeio tudo em academias. Todo ano, nos últimos dez anos eu me inscrevia numa nova cheia de modalidades. De dança moderna a spinning (você sabia que se perde até 700 calorias numa aula de spinning?). Comprava tênis, short novo, squeeze com sistema anti-gravidade e malhava exatos dois meses. Dava sermão nos amigos gordos – Vamo levantar desse sofá! – depois me tornava foragido, pior que eles. Deitava no sofá. Mas nada, absolutamente nada, me tornou mais derrotado que minha última tentativa de gostar de academia: paguei dois meses adiantados. Malhei 45min e nunca mais voltei. Nunca mais. Never more.

Eu não falo inglês, sofro no espanhol. Fui recentemente num seminário internacional e só eu usava os fones de tradução simultânea. Ou todos os adultos andam arrasando no verbo to be ou as pessoas preferiram não passar a vergonha de usar fones e que se danasse a palestra. O que é pior: eles que mentem pra si mesmos ou eu que continuo mentindo no currículo? Lá eu digo que tenho um inglês intermediário. Falo, mas não escrevo. Digo assim. Mentir no currículo é mais uma prova de que eu sou um adulto que não deu certo.

Minha carreira não foi brilhante. Ela é confusa, como eu. Já trabalhei em empresa de cobrança, restaurante, centro exotérico, escritório de advocacia. Me saí bem em tudo isso. Trabalho moderno não exige muito da gente. Basta fazer cara de interessado nas reuniões e reproduzir aquele discurso chato do trabalho em equipe. Me comportei direitinho, mas ser o funcionário do mês em todos esses lugares tão diferentes, não me soava como se eu tivesse realmente dado certo. A sensação não é a de que sou bom em tudo o que faço, mas que eu não tenho a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida. Já viram esse filme? Vi no meu último trabalho enquanto fingia que fazia algo importante.

Tive poucos relacionamentos amorosos saudáveis. Talvez tenha tido um e ele não foi exatamente saudável por minha causa, mas porque a outra parte era um anjo de paciência, candura, um ser evoluído mesmo. O resto foi uma confusão danada, uma sequencia de infantilidades e passionalidade. Não sou do tipo moderno e compreensivo. Sou impulsivo, primitivo, birrento, não sei dar presentes de aniversário, não sei dormir de conchinha. Gosto mesmo é de dormir de bruços, esparramado, do que necrosar meu braço embaixo de alguma nuca pesada. Esses dias me peguei em um bar selecionando perfis no tinder. Quer dizer, eu estava num ambiente de conquista, tentando conhecer gente pela internet. Muito loser (olha aí meu inglês outra vez).

Sou inculto. O único diretor de cinema que conheço é o Spielberg. Vi um filme do Truffaut por acidente, mas precisei dar um google agora pra lembrar como se escreve o nome dele. Ouço música ruim. O dia inteiro. Não entendo quem gosta de ouvir Chico Buarque. Ele canta como se nunca tivesse vivido perigosamente, jamais tivesse amado uma camisa que não serviu no vestiário, desviasse do glúten no prato. Chico Buarque é um desses que deu certo. Eu sei disso. Meu perfil no tinder diz que eu adoro cinema e teatro, mas prefiro netflix. Um fracasso.

Vejo os adultos que deram certo viajando o ano inteiro. Ainda estou pagando minha última viagem. Confesso que viajei por culpa. Viajei porque todo mundo viaja. Viajei porque em outro país, existe a doce possibilidade de alguém me olhar na rua, com meu ticket parcelado, fazendo fotos com meu iphone parcelado, meus óculos escuros parcelados, meu vinho comprado na raspa do cartão de crédito e pensar – Lá vai, um adulto que deu muito certo.

Diego Engenho Novo

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Vigiar o Fogo

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Verão era época boa quando eu era criança. A gente juntava um monte de coisas e íamos para a fazenda da família fazer companhia pro rio. Meu único compromisso era voltar antes que escurecesse. De resto, podia brincar, me molhar, explorar a mata até aonde a vista alcançasse. Mas eu gostava mesmo era de ficar às voltas da casa. Porque sempre vinha algo bom do forno à lenha e porque eu adorava escutar as histórias da Nena, a mulher do caseiro.

Na primeira chance que tinha, me metia na cozinha e fazia quase sempre a mesma pergunta pra Nena – O que você tá fazendo? – eu adorava ouvir aquela resposta – Tô vigiando o fogo, menino – Ela ficava ali, encarando as toras em chamas, movendo para um lado e pro outro, cuidando pra que não queimassem demais. Às vezes, Nena até me deixava colocar mais lenha no fogo. Vigiar era de fato o termo mais correto. Porque ela agia como se alguém fosse mesmo roubá-lo.

Em dias como o de hoje, em que meu temperamento explode, em que minha calma míngua, em que não estou nada paciente com os abusos dos outros, gosto de lembrar de Nena e seu vigiar do fogo. Hoje é mesmo um dia para negociar comigo mesmo, tirar calor do temperamento e colocar mais pro lado do trabalho, repensar o dizer, aquecer o silêncio. Esperar a confusão passar e me apegar ao que é certo: as pessoas que amo.

Coloco então lenha na boca que fala com doçura mais pertinho do coração. Aqueço quem amo e assim, também me aqueço. É preciso vigiar o fogo de nossas emoções. O sabor da vida está, logo acima, cozinhando lentamente. Basta sermos pacientes. Basta vigiarmos a chama viva que queima em nosso coração.

Diego Engenho Novo

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Decanto

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Aproveite que um dia todo o encanto passa – ameaçam os amargurados. Ficará a rotina em seus tons acinzentados, tornar-se-á o caminho previsível, um dia você simplesmente se acostumará a ela. Um dia, ela simplesmente se acostumará a você, até não poder enxergá-lo mais.

Jamais compreendi o tom de ameaça. Se me acostumar à presença dela é exatamente o que busco. Teremos sorte se um dia eu puder mesmo me tornar banal como uma cadeira de balanço, se um dia deixar de ser um corpo estranho. Um dia, de fato, deixarei de ser visita, novidade, ânsia. Para ser somente a companhia calma para seus cotovelos cansados de esperar.

Aproveite que um dia o encanto passa – repetem os amargurados. E tudo o que eu mais quero é desencantar-me diante dos seus olhos entediados, é ser silêncio calado para acompanhar sua voz, cada dia mais quietinha, como um canto por onde ninguém mais passa. Quero mesmo que todo o encanto nos deixe, que seu afago seja cada noite menos sedento de mim, quero ser tão costumeiro como o curvar dos galhos ou a mudança de opinião serena dos rios.

Sorte de quem puder estar, de quem puder atravessar os anos a ponto de deixar de ser encanto. Sorte de quem puder amanhecer e perder o tom abobalhado dos amantes, o ar embriagado dos sonantes, amanhecer, entende? Luz sobre minha confusão.

Tudo o que mais quero é que o encanto passe, que os anos não nos perdoem, para que fique em mim a certeza de estar ao seu lado. E que, como ameaçam os amargurados, você se acostume mesmo com minha companhia, num acompanhar-te que nunca passa, lerdo e costumeiro. E esse que fica quando todo o encanto decanta, e esse que se assenta junto com a rotina, não me ofenderia jamais. Depois que todo o encanto decanta é ali que está o verdadeiro amor.

Diego Engenho Novo

Mature couple lying on beach holding hands, close-up

Lírios

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Você pode ler ouvindo isto http://migre.me/ratjz

Hoje é a precaução que tenta te parar, amanhã será o medo. Intercalados, confundíveis, ambos tentarão, mas não pare. Não lhes dê ouvidos. Hoje o passado tentará te manter consigo, lá atrás. Amanhã é o futuro que te assustará. Ambos tentarão te impedir de caminhar no presente, mas não pare. Você já é maior do que foi no passado e o amanhã não é nada sem ti, existindo nele, cintilando sua verdade.

Hoje a preguiça vai tentar te parar, amanhã, a acomodação. Juntas elas colocarão uma pedra por dia sobre seu corpo, formando um túmulo, ou ao menos tentando. Não deixe-se soterrar. Lerdas que são, levarão mil anos para cobrir a luz. Mova-se, milimetricamente, um tantinho mais e elas não poderão construir nada que destrua sua vontade.

Hoje a impulsividade te desequilibrará, amanhã a confusão se instalará na mesma ferida. Ambas tentarão contra seus acertos, fazendo-o errar sempre no mesmo passo. Chamarão isso de karma, signo, destino, como se o controle não estivesse em suas mãos, mas está. Os abutres começam comendo a carne do que está caído, vis que são, terminam por devorar-se entre si. Não pare.

Hoje atentarão contra a sua verdade, sua fé no amor, sua paz, sua lucidez e amanhã tentarão outra vez provar que você é um deles. Mas você não é. Não importa o quão longe estejamos de casa, sempre saberemos de onde viemos. Não importa quão sujas estejam as roupas que nos vestem, nós sempre saberemos quem somos.

Apesar de tudo, mantenha-se caminhando, apesar de todos mantenha-se curando-se, devagar e silenciosamente, de dentro pra fora. Mantenha-se ciente de que você não faz parte de nada disso. Lembre-se que os lírios ainda têm cheiro de lírio em meio à podridão, que os lírios ainda são lírios depois de arrancados do campo.

Diego Engenho Novo

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Calma

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Quando imagino um amor, não consigo descrever exatamente a cor dos cabelos, a translucidez dos olhos, o tamanho das mãos, o desenho do sorriso, nada disso. Já imaginei, claro, de muitas e tantas formas, e cheguei à conclusão de que isso não me importa muito. Quando imagino meu amor, vindo em minha direção, sinto sua calma, que também é minha, se aproximando de nós.

Dedos que brincam enquanto acalmam, beijos que beijam enquanto acalmam, braços que envolvem enquanto acalmam, o respirar que compassa enquanto oferece uma brisa serena e calma. Palavras que adoçam enquanto acalmam, olhares que se entregam enquanto acalmam os meus.

Se todos os amantes do mundo pudessem sussurrar uma palavra que melhor defina o estar junto, diriam baixinho, que é a calma que os une. Se não é ela, mas a necessidade, a carência, o desejo, o medo ou qualquer outro sentimento turbulento, não acredito sê-lo possível chamar de amor. Amor tem aquele cheirinho e aconchego da casa onde a gente sempre viveu, onde nossas lembranças estão seguras.

Então, fique atento para reconhecê-la. Pés que se encostam aos seus pés enquanto acalmam, cabelos macios de calmaria, calor da pele levemente morno que acalma, ida que segue deixando um tantinho da calma pra nós. Um retorno constante pro seu lugar mais perfeito, para o som do meu peito que te ama e que, assim espero, também te dá calma.

Diego Engenho Novo

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Seu Pai Não Merece Presente

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Depois de muito analisar, as provas não mentem: sentimos muito informar que devido ao passado pregresso de ambos e as evidências cabais, seu pai, de fato, não merece presente. Começou muito antes de você nascer, ali na tranquilidade do útero, ele já azucrinava a sua mãe, gritava no seu ouvido quando era gol, a perseguia pela casa, cheia de dores, coitada.

E então você nasceu, e ele passou todo o primeiro dia da incubadora, apresentando pra família a criança errada. Tentou convencer sua mãe a colocar um nome bizarro de personagem do filme do Van Damme, trouxe roupinha desconfortável com emblema de time, comprada no camelô. E é pra esse homem que você vai dar presente?

Não quis gastar com montador e montou seu berço sozinho, sabia o que estava fazendo, e quase te matou. De madrugada, quando sua mãe conseguia jogá-lo pra fora da cama, ele ia te pegar, todo sem jeito e é por isso que você tem essa coluna esquisita hoje. Não sabia nenhuma canção de ninar que preste, cantava AC/DC e quando você já estava dormindo, caramba, aquele homem louco vinha te encher de beijos, te acordar.

Te deu remédio errado, comida quente demais, deixou você embrenhado na sujeira da frauda por horas, por achar que aquele era seu cheiro normal. Te deixou beber água da banheira, riu quando você comeu terra, entrava em pânico quando você vomitava. E isso lá é prova de amor?

Quando você começou a andar e batia a cabeça no chão, pra ele parecia lógico te sacudir em todas as direções até a dor ir embora. Ficou uns dias te olhando torto porque sua primeira palavra foi “gato” ou qualquer coisa parecida. Mas não era “papai” como ele te ensinou por milhares de horas repetidas. Qualquer amizade nova trazida pelo braço e ele já perguntava se era namoro. E você ainda nem sabia se ia querer namorar, com menino ou com menina. E você ainda nem tinha ideia do que era namoro.

Te esqueceu na escola, apareceu duas horas depois atarantado pra te buscar, não quis sair do sofá pra te ensinar a andar de bike ou nadar, te ensinar os  nomes dos atacantes e o que era impedimento, parecia mais útil naquele momento. Te deu brinquedos que você nem conseguia segurar, dançava estranho nas suas festas, queria bater no palhaço do palhaço, te envergonhava o tempo todo, por anos e anos e anos.

E é pra esse homem que você quer dar presente? É. Porque sempre que se lembrar, é esse homem desajeitado e meio confuso que estará lá, no lugar de seu pai. Tentando, errando, aprendendo, te amando pelas bordas, tentando ser visto, para ser sempre lembrado pelas suas lembranças. Os melhores pais, não são os que mais acertaram, mas os que passaram toda a sua existência, tentando estarem presentes, pra que no futuro você também fosse presente na vida deles. Vá lá, dê presente pro seu pai.

Diego Engenho Novo

Caucasian father holding baby

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Premiação
Vamos sortear 3 camisetas. O modelo fica à escolha do ganhador. Um ganhador para cada uma das respectivas categorias:

1) Post com mais curtidas ou;
2) Post com mais compartilhamentos ou;
3) Post com o texto mais fofo (ownn!)

Resultado

07/08 (sexta-feira)

*Lembre-se de fazer sua postagem PÚBLICA ou não teremos como avaliar sua participação

Boa sorte!

Frase: Vou, pelo mundo voo / Trecho da crônica “Ser Livre“)

Arte 3 - Dandelion_preta-04

Ouvidos Moucos

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A trilha do Pai Zé se estirava à minha frente. Íngreme, dura, mas de fato, linda. À volta o som da mata e de minha falta de ar. Pouco adiante, duas mulheres na faixa dos sessenta anos, seguiam devagarinho com seus bastões de caminhada supermodernos e aqueles chapéus engraçados com proteção solar.

Em certo momento, um grupo de adolescentes, uns oito, descia a trilha na direção oposta voltando do pico. Falavam alto, riam e, ao cruzarem as duas senhoras, soltaram frases como – Ish, nesse pique, chega não – Firma o passo aí que tá longe ainda e a pior parte da trilha nem chegou – Boa sorte, vocês vão precisar. Banho de água fria. Eu murchei na hora.

O que gente assim ganha fazendo esse tipo de coisa? Sempre me pergunto isso. Que prazer estranho é esse de desmotivar os outros, de projetar suas frustrações no caminho alheio? Eles se sentiram um pouco melhores ao nos deixar piores? Baixa autoestima? Eu estava tão irritado que só não disse umas verdades pra eles porque simplesmente não tinha fôlego pra falar. Que bom que não tive.

Mas eu ainda podia ouvir, e ouvi docemente uma das senhoras perguntando à outra em inglês se ela tinha entendido o que os garotos estavam tentando dizer. Sua amiga, tão gringa quanto, concluiu que, como o grupo estava sorrindo pra elas, deviam estar avisando – Logo ali, depois da curva! – Vocês estão chegando, coragem! – E sorriram também uma pra outra, concordando que a trilha provavelmente estava chegando ao fim. Minutos depois, ao topo, reencontrei as duas, emocionadas por terem conseguido chegar.

Será esse o segredo? Simplesmente não ouvir? Que meus ouvidos se fechem para a maldade gratuita, o desejo inoportuno, o vampirismo inconsciente, o mal querer por tantas vezes ciente das pessoas que cruzam. Que enquanto seus lábios me dizem para parar, eu entenda ‘seguir’, e de fato siga, duas vezes mais forte. Que quando aqueles, que mal tentaram, me disserem que também não conseguirei, eu só escute o som do meu peito, bravo e inabalável, afirmando que para mim aquele caminho é possível. Ouvidos moucos, essa é a receita dos que chegam ao topo da trilha da vida. 

Diego Engenho Novo

Closeup on a young woman's feet and legs as she is trekking in the mountains

Âncora

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Meus amigos Suzete e Roberto completam hoje 38 anos de casados. Desde que os conheço, eles são família minha e minha maior inspiração para seguir acreditando no amor. Não um amor de contos de fadas distante, mas um amor real, regado à dedicação, cumplicidade, esforço mútuo, generosidade e uma dose adorável de bom humor.

Caramba, 38 anos. Suzete viveu mais tempo com seu marido que com seus próprios pais, viveu mais tempo sendo dois que sendo sozinha, viveu e vive, uma vida inteira com o homem que escolheu. E ele a escolheu de volta.

Para celebrar suas bodas de carvalho, a árvore símbolo da sabedoria e da força, fizeram uma tatuagem. Como dois adolescentes apaixonados, que de fato são. Tatuaram uma âncora. Mais do que símbolo de estabilidade, porto seguro um do outro, a âncora no caso deles retrata a liberdade que seu amor esculpiu lentamente através dos anos.

A âncora, eles me ensinaram, não é símbolo de parada, de estagnação, mas uma força que diz: “Vai lá, descobre o mundo com esses olhos que eu adoro tanto e volta pra me contar. Vai lá, que eu serei sempre sua casa, seu retorno, seu conforto pra te consolar do cansaço do mundo. Vai lá, mas depois volta pra me completar e dar o seguir da viagem que só faz sentindo se seguirmos juntos”, lindos.

Trinta e oito anos, quatro filhos, sete netos e você os vê de segredinhos pelos cantos, levando café na cama nos dias preguiçosos, indo ao cinema no meio da semana, morrendo de ciúmes um do outro, sem confessar. Viram que evitei dizer “ainda”? “Ainda” não combina com eles. O amor deles está crescendo, evoluindo e, a gente, que aprendeu admirá-los tanto, vai pegando carona, vai amando também, vai crescendo perto, viajando junto. 

Diego Engenho Novo

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