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Sobre Tudo o Que o Amor Ensina

amorensinaCom o tempo ficou mais nítida, a clara missão de meus amores por aqui: além dos afagos largos, dos abraçados demorados, dos beijos que me guardavam, das horas insones caminhando pela rua, além de muitas das melhores lembranças que guardo, meus amores também me ensinaram, ao passarem por mim.

Então, não peço mais que fique comigo para sempre ou por pequenos tempos enfileirados. Fique, pelo tempo que precisar, pra me ensinar o novo e pra também aprender comigo. A ser maior como o som que se expande, menor do que a lança que fere. A aceitar com sabedoria a mania adorável de ser mutante, a beleza incontestável de ser constante, mas jamais permanente.

Me ensina a rir assim, com tudo de si, que eu te ensino desenhar golfinhos. Ensina-me a dançar, devagarinho, que eu te ensino a tocar uma canção do Caymmi. Segura a minha mão enquanto meus joelhos se equilibram tardios sobre os patins, que eu te ensino a ser mal criado em outro idioma. Você me ensina a escolher as roupas, eu te ajudo a perder o medo de nadar, de voar e de ser feliz.

Você me leva pra dirigir, e eu te ensino a direção de cada constelação silenciosa. Você me ensina a dormir calmamente, com minha têmpora na esquina do seu ombro, e eu te ensino a não ter mais medo de amar demais. Que a gente nunca, nunca pare de entender que a vida é troca e que há sempre algo pra aprender, nesse universo infinito e inesgotável, no exercício diário que é amar você.

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Antes do Carnaval

Brazil_Carnival_History_1930_photos_2Terminaram como tinha de ser. Desmontaram-se, como uma tenda que cai lentamente em meio ao deserto. Cada um com suas perdas e ganhos, com seu roteiro decorado para esquecer. – Uma pena mesmo. Em um dia, o casal mais feliz do mundo, no outro, completos estranhos. Tudo muito estranho – resumiu um amigo da roda -Vocês sabem como é essa época do ano… – levantou a bola, para alguém cortar – É… Os términos pré-carnaval.

Sempre pensei que essa época do ano não está recheada de fotografias a dois, indo pra lixeira à toa. Mas quem sou eu pra apitar qualquer coisa? Caso encerrado em mais um eficiente júri do povo. Parece de bom tom, esperar o bloco passar, para então, terminar com um enredo que não vingou na avenida do nosso coração. Conheci os dois, quando ainda eram dois. Miguel e Paula se amaram tanto, que era possível catar um pedaço daquele sentimento com as mãos.

Não sei onde deu errado, mas consigo enxergar superficialmente a infinidade de coisas que deram certo. Já pararam pra pensar, que isso pode não ser o ritmo das baterias se aproximando, mas uma recente reflexão das prioridades e valores requentadas do fim do ano? Ali, logo ali atrás, em dezembro, começamos a colocar na balança nossas escolhas, a medir nossos medos, a esticar as vistas para o nosso futuro e, muitas vezes, não conseguimos enxergar nosso parceiro à frente.

Ele não está lá. Nem ritmando nosso coração, nem portando a bandeira de nossas crenças, tampouco abrindo alas para nossa felicidade. Cada história de amor ou de revés é um samba só nosso que vai se repetindo baixinho e baixinho, até a dor dispersar. A você que fala demais, a você que aponta, comissão julgadora do bloco dos outros, que transforma a dor alheia em alegoria, só a vida vai ensinar. Que às vezes, a gente canta bem alto pra ver se o coração se cala, que às vezes a gente ri por fora pra ver se a alma para de chorar.

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Ser Livre

chetzemoka3(leia ouvindo:http://migre.me/odaU1)

Há alguns anos, parti. Tomei minha mochila como casa, meus pés como bússola e os segui. Troquei minha mobília pela estrada, minha cama por estadas, minhas janelas pelo infinito à frente. Mas, estranhamente, ao contrário do que pensei, a cada novo quilômetro, a cada nova fronteira ultrapassada, a cada novo pontinho no mapa, eu não me sentia mais leve. Só me sentia mais só.

Apesar, do silêncio imenso do amanhecer, meus medos, minhas dores, minhas saudades, minhas lembranças, amanheciam também comigo. Fingindo-se escondidos por entre a bagagem, como uma criança que segue com o circo, sussurravam-me verdades, segredos que eu não queria ouvir. Ao anoitecer, quando também estava sozinho entre os murmúrios da mata ou observando as ondas da praia, eu podia ouvir meu coração com um medo imenso de jamais se sentir preenchido.

Naquele outubro, com os pés feridos, sentei-me aos pés do monte Kukenan e chorei, e chorei, e chorei até me esvaziar por completo. Ali, pedi aos espíritos, que as crianças me disseram existir na montanha, que me libertassem do peso que carregava. Adormeci e em meus sonhos recebi as respostas todas que me faltavam. Eu vi, um dente-de-leão, lançando suas pequenas partes pelo céu, com uma doçura que jamais saberei descrever. Eu vi e foi só aí que realmente acordei.

Liberdade é não estar preso a nada e ainda sim fazer parte de um todo, é se perder milhares de vezes, mas jamais se esquecer de onde se veio. É viver o quanto mais livre das emoções do outro, mas, ainda assim, amar cada aproximação do próximo, porque ele também te torna inteiro.

Não vê, que mesmo despedaçado em milhares de pequenas partes, o dente-de-leão ainda é um dente-de-leão inteiro? Não vê que quando partido, solto e multiplicado pela vontade do vento, é que ele faz ainda mais sentido? Certas almas só estarão completas livres, mas é preciso que elas também aceitem isso. Por isso vou, pelo mundo voo. E quanto mais me espalho por aí, mais me sinto inteiro.

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Bem-vindo

bemvindoSeja bem-vindo, às margens do meu mundo conturbado. Tome cuidado, para não se perder às voltas de mim. Seja bem-vindo, ao topo dos meus delírios, ao meu mar quase sem fim de ansiedades, às minhas verdades por vezes afiadas demais. Seja bem-vindo, às minhas noites sem sono, aos meus cafés amargos, às minhas longas horas de silêncios necessários.

Seja bem-vindo, às minhas manias que de tantas já se misturaram. Aperto os olhos, cheiro os copos, como rápido demais, escuto lentamente. Note com o tempo, que eu alinho os objetivos à mesa enquanto conversamos. Quem sabe algo de mim esteja também nos alinhando? Seja bem-vindo à minha falta de sentido, a todas as dúvidas que plantarei em você pra depois colher. Se até aqui, ainda deseja ficar comigo, seja bem-vindo também ao melhor de mim.

Seja bem-vindo às minhas mãos sempre prontas, ao meu afeto que abraça e se afasta à medida que você precisa de calor ou espaço. Cafuné conversível, afago retrátil. Seja bem-vindo, aos meus de cartões de amor espalhados pela casa, como se fossem chinelos e às minhas piadas que só a gente vai entender. Seja bem-vindo, aos flagrantes de mim ignorando a tela gigante pra assistir você, ao meu riso bobo que te vê chegar, à minha saudade que espera.

Seja bem-vindo, ao meu empenho em te fazer grande e de admirar tudo o que já é perfeito em você. Seja bem-vindo, aos meus dias que nunca se repetem, aos meus beijos que dizem baixinho que te adoram e que te adoram. Seja bem-vindo, ao meu ombro de amigo, ao seu lugar de inquilino cativo do meu colo. Seja bem-vindo, a todos os desertos e a todos os oásis que trago em mim, aos meus melhores pensamentos, a todo o amor que tenho pra ti.

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Marcos

marcosHá quase 20 anos, nasceu o guri. Enrugado, curvadinho, como se fosse uma interrogação. Tão miúdo que sumia nos braços, tão gigante quanto os sonhos que o envolviam antes mesmo de nascer. Ali, nadando no universo infinito e vasto que era sua mãe, dançando no escuro, escutando o mundo através das paredes delicadas da existência dela, ali em meio a tanta emoção, ficou sem ar antes do parto. Ossos do oficio de ser astronauta.

O médico, meio que sem jeito, veio contar que havia pouquíssimas possibilidades para aqueles olhinhos brilhantes. Talvez ele pudesse andar, mas não falar. Quem sabe, falasse, mas não sentaria. Havia a possibilidade de que ele comesse sozinho, mas se chegasse a tal ponto, provavelmente não aprenderia a ler ou escrever. E nem os pais, nem o irmão mais velho conseguiram entender coisa alguma do que aquele homem dizia, porque aquela falta de crença imensa não se parecia em nada com toda a esperança que o pequeno lhes deu.

Ignoraram, como é de praxe dos sábios fazerem. E, enquanto as outras crianças corriam suadas nos parquinhos, Marquinhos dava o primeiro passo após meses de fisioterapia. Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para as possibilidades que se abriam. Eles nem desconfiavam que no mundo houvesse tanto tipo diferente de sabedoria: fonos, psicólogos, ortopedistas, neuros, uma infinidade de especialidades para um garoto especial. Uma luta gigante, dia após dia, do tamanho dele. Andou, falou e não parou mais.

Há dois anos, Marcos, como orador da turma do colégio, disse que seria educador. Discursou bonito, de pé, cercado dos amigos que conquistou pela vida. O médico estava certo: Marcos não aprendeu a andar. Marcos aprendeu a voar. Marcos adora cinema, aviação, política, história. Marcos adora ensinar e me ensinou que as limitações quem nos coloca são os outros, mas quem as aceita ou não, no final, é mesmo a gente.

Hoje, recebemos a notícia de que Marcos foi aprovado no vestibular. Magrelo, alto, estirado, aquele guri enrugado que já foi dúvida para alguns, tornou-se uma exclamação, jamais um ponto final. Hoje, talvez com o peito estufado um tantinho mais, eu digo o que tenho repetido por mais de 20 anos, em defesa, por orgulho ou por gratidão: eu sou o irmão do Marcos.

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carpe diem, carpedien, tempo, viver

Por Muito Tempo

old-black-and-white-afghan-hound-photoPor muito tempo, esperei ter dentes perfeitos para sorrir, ter nos lábios as palavras certas para dizer que errei, por tempo demais eu chorei pra ninguém ouvir. Por muito tempo eu tentei, mesmo sabendo que no fim só haveria a mim. Guardei-me para os dias especiais, prometi enxergar-te, verter-me para ti, dar a devida importância, deixar tudo de lado para ficar do seu. Pensei que você ficaria mais tempo por aqui.

Por muito tempo, esperei um convite para partir, uma mão que me guiasse pra bem longe, alguém que me afastasse dos dias tristes que me acompanham. Por muito tempo, esperei que mundo me dissesse que sim, que houvesse uma segunda chance para me defender, que houvesse arrependimento da trincheira à frente, esperei verdade de quem a desconhece, acreditei em um mundo um pouco melhor sem nenhuma mudança vinda de mim.

Por muito tempo, adiei os livros que já nasceram para ser lidos por mim, deixei de ir ao cinema por falta de companhia, guardei meu melhor vinho até ter as taças. Por tanto tempo, guardei a roupa mais incrível para o dia perfeito. Por tanto tempo alimentei tanto minhas ilusões quanto dei de comer às traças. Por muito tempo, quis conhecer a vista do topo do meu próprio prédio, quis vencer a lógica dos domingos e subir a serra, quis pegar um avião sem falar qualquer outro idioma, por muito tempo, quis vencer meu tédio costumeiro e ser livre.

Por muito tempo, esperei as melhores ondas pra entrar no mar. As melhores palavras pra acreditar, o melhor momento pra agir, a melhor desculpa pra fugir. Por muito tempo, esperei a verdade para oferecê-la em troca, esperei o silêncio para dizer, esperei a calma para guarda-la. Por muito tempo esperei primeiro ser amado para depois amar, esperei que fosse eterno para me entregar, esperei por tempo demais para ser feliz.

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Ei, pessoal!

Hoje estamos empenhados em uma campanha bem legal:

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Então, só estamos passando pra confirmar: você já curtiu a nossa página?

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Um 2015 doce pra todos nós!

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